Tecnicamente falando, foi um “peladão”. 18 julho 2016 goiás x nautico

A peleja entre Goiás e Náutico foi 4 a 2. Teve seis tentos anotados. Com direito a virada e emoção do começo ao fim. Então foi um jogaço? Não, não foi.

O que aconteceu nesse sábado no Serra Dourada foi uma grande pelada. Dois times completamente desorganizados em campo não fazendo jus a grandeza de Goiás e Náutico nessa Série B. Com duas equipes acostumadas a disputar a elite do futebol brasileiro, um certame desse deveria ter um nível tático bem melhor do que o apresentado.

Os sistemas defensivos das duas equipes apresentaram marcação individual, descompactação, noção nenhuma de cobertura e movimentos sem sincronismo principalmente da primeira linha. Enfim, uma correria sem a menor inteligência.

Fora os erros técnicos: Ivan saiu sem o tempo da bola e cometeu um pênalti totalmente infantil. O pênalti cometido em Carlos e desperdiçado por Léo Lima começou no erro grotesco de saída de bola do goleiro Julio César. Patrick errou no domínio da pelota, perdeu-a no meio de campo e o time pernambucano não perdoou. Léo Pereira também perdeu a bola no último terço do campo para Patrick, que se redimiu com a torcida tocando para Rossi já sem goleiro. Enfim… um festival de desastres.

O sistema ofensivo do Goiás foi inofensivo até os 32 minutos do primeiro tempo. Não funcionou porque faltou APOIO e MOVIMENTAÇÃO. A ideia inicial estava clara no primeiro minuto de jogo: as construções das jogadas começariam com David à frente de Anderson Salles (improvisado na lateral), Wesley e Alex Alves. Assim, Juninho teria total liberdade para subir e dar amplitude ao time (com Rossi do outro lado).

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Juninho aberto pela esquerda e Rossi pela direita dão amplitude (Reprodução: PREMIERE

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Saída era pra acontecer com Anderson Salles, Wesley, Alex Alves e David (Reprodução: PREMIERE).

 

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Mapa de calor do Juninho no primeiro tempo: responsável por jogar aberto pela esquerda para dar amplitude (Fonte: FOOTSTATS).

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Mapa de calor do Rossi no primeiro tempo: até os 32 minutos jogava aberto pela direita para dar amplitude (Fonte: FOOTSTATS).

 

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Mapa de calor de Anderson Salles no primeiro tempo: jogou improvisado na lateral direita até a entrada de Daniel Carvalho, mas sem participação efetiva no campo de ataque (Fonte: FOOTSTATS).

 

O problema foi que a falta de movimentação entre Patrick, Carlos, Leo Lima e Leo Sena era tão grande pelo meio que forçava pelo menos dois deles irem até a linha de David para buscar jogo. E quando outro jogador tinha a posse da bola, David não se projetava para receber em progressão. Com dois a menos na frente, ficou fácil para a também péssima defesa do Náutico.

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A jogada é basicamente a mesma do frame anterior, mas com Léo Lima voltando para buscar a bola no lugar de Léo Sena. Mesmo com espaço entre as linhas do Náutico, o Goiás não soube jogar até a entrada de Daniel Carvalho (Reprodução: PREMIERE).

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Com Anderson Salles, Wesley e Alex Alves fora das construções das jogadas, David sem se projetar para receber um passe em progressão e Patrick atrás da linha da bola, sobraram Léo Lima (cercado por 4 adversários), Rossi, Carlos e Juninho para dar continuidade para Léo Sena na jogada. Ou seja, 10 jogadores de linha do time pernambucano estavam marcando 5 jogadores do Goiás (Reprodução: PREMIERE).

 

Eis então que Léo Condé fez a primeira alteração na parada técnica: a entrada de Daniel Carvalho procurando atuar como falso 9 no lugar de Alex Alves. Anderson Salles voltou a ser zagueiro e Léo Sena foi para lateral direita. Com isso, o Goiás ganhou um homem explorando o buraco entre as linhas defensivas do Náutico (ora Daniel Carvalho ora Léo Lima), Rossi passou a jogar pelo lado esquerdo procurando as diagonais (já que é destro) e Carlos tinha liberdade para se movimentar pelos flancos e infiltrar na área quando a jogada acontecia do outro lado. Tem mais: David passou a ter em definitivo Léo Sena ao seu lado, não necessitando de outro homem recuar tanto para iniciar as construções das jogadas.

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Primeiro gol do Goiás: o passe de Léo Sena foi brilhante. E a movimentação do Léo Lima foi perfeita procurando atuar entre as linhas e puxando um marcador da primeira linha defensiva do Náutico gerando espaço para infiltração de Rossi (Reprodução: PREMIERE).

 

Faltam vários princípios estruturais ofensivos no Verdão. Mas essa mudança já foi o suficiente para a equipe sobrar em cima do Náutico – que também deixa a desejar em vários aspectos, apesar da posição na tabela: foram 501 passes certos contra 211 do time pernambucano (mais que o dobro), maior posse de bola (65% contra 35%) e mais finalizações (15 contra 11).

O alento para a torcida esmeraldina da bagunça do sistema defensivo é que o nível dessa Série B até aqui é baixíssimo. Times que estão no G4 e na parte de cima da tabela apresentam um desempenho pífio. O Náutico, que está no meio da tabela, é a prova disso. E que Léo Condé já fez o sistema ofensivo evoluir consideravelmente com pouco mais de um mês de trabalho, tem reforços para estrear e vai ter a parada em agosto para organizar a equipe defensivamente.

Rodolpho Chinem

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2 Comentários Quero comentar!

  • Tomara que cheguem pelo menos mais 2 zagueiros, estou indo ao serra no sacrifício, pois esta zaga do Goiás mata qualquer um de raiva. Sem exagero todo ataque é risco de levar gol, bola rápida então…

    Comentário by Fabricio Cunha — 19 de julho de 2016 @ 2:56

  • Putz…

    Comentário by Raphael Seiji — 19 de julho de 2016 @ 21:25

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