Seja bem vindo, professor! 8 fevereiro 2016 prancheta-tatica-dupla-face-8

Três jogos oficiais e um mês de trabalho. O saldo de Enderson Moreira no Goiás é positivo. Joga na base do 4-2-3-1 e varia para o 4-4-2 dependendo da condição física de Daniel Carvalho.

Goiás iniciou o campeonato goiano no 4-2-3-1.

 

 

Contra a Anapolina, Enderson Moreira manteve o 4-2-3-1, mas com Patrick aberto na esquerda e Carlos na direita.

 

Contra o Vila, os jogadores esmeraldinos mostraram o que é jogar sem a bola já aos quatro minutos do primeiro tempo. Seis deles deram a opção do passe para Daniel Carvalho na própria área do adversário.

Sete jogadores aparecem na imagem participando ativamente da jogada 

 

E no lance do primeiro gol contra o ex-rival, o Goiás mostrou o que é jogar em bloco para criar superioridade numérica no setor em que a pelota está. Sete jogadores (!) no ataque cercam o portador da bola vilanovence para a interceptação e finalização de fora da área de Patrick.

 

Goiás em vários momentos atuou em bloco. Isso só acontece com treinamento 

 

A profundidade e a amplitude também são princípios estruturais que estão sendo trabalhados. Tudo acontece com os treinamentos. O famoso “treino é treino e jogo é jogo” não funciona mais no futebol que prioriza cada vez mais o coletivo.

 

Goiás mostrando profundidade com Rafhael Lucas, amplitude com Carlos e Patrick e movimentação para quebrar o sistema defensivo com Daniel Carvalho.

 

Quando Daniel Carvalho cansa, o time se formata no 4-4-2, sendo que muitas vezes o próprio atacante Rafhael Lucas é quem recua para iniciar a jogada ou para fechar espaço quando o adversário tem a bola. Nesse momento do jogo, o Goiás perde em criatividade e acaba tendo dificuldades para atacar.

Não por acaso, Enderson Moreira vem substituindo Rafhael Lucas. E sem um atacante, o sistema se ajusta para que Daniel Carvalho trabalhe como pivô (e muitas vezes como falso 9) para as entradas de Carlos e Murilo na área. O gol da vitória em cima da Aparecidense saiu assim.

Daniel Carvalho (sem Rafhael Lucas) é o homem mais adiantado do Goiás e recua para trabalhar na construção da jogada 

  

 

Carlos e Murilo infiltram na área aguardando o passe de Daniel Carvalho 

 

Para se defender, as duas linhas de quatro aparecem mas ainda pouco compactas. Sobra espaço nas costas dos volantes. Contra um time mais qualificado, pode ser fatal.

 

Goiás com as duas linhas de quatro armadas mas deixando espaço entre-linhas para o adversário explorar.

 

Muitas vezes os volantes também não entram na área para fazer o balanço defensivo. O resultado não poderia ser outro: trabalho para o goleiro Renan.

  

Apenas os zagueiros e laterais fazem o balanço defensivo nessa jogada. O Vila conseguiu entrar com superioridade numérica na área do Goiás 

 

 

No único lance de perigo do primeiro tempo da Xata, o Goiás está com inferioridade numérica dentro da área 

 

É impossível formatar um time com um mês de trabalho. É difícil ter intensidade no início de temporada. Mas é visível que princípios estruturais estão sendo aplicados. E que a construção do modelo de jogo é só questão de tempo. Uma coisa é certa: esse Enderson nasceu para treinar o Goiás Esporte Clube!

Rodolpho Chinem

(Fotos: Reprodução TV Anhanguera)

 

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4 Comentários Quero comentar!

  • Perfect!! Nada a acrescentar. Suas colunas nos ensinam.

    Comentário by CIcero Jr — 8 de fevereiro de 2016 @ 19:20

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    Comentário by Manoel — 8 de fevereiro de 2016 @ 19:29

  • Cada vez mais bem escrito. Parabéns pelo texto e pela análise! Grande abraço.

    Comentário by Francisco Pina — 9 de fevereiro de 2016 @ 3:25

  • Nenhum comentarista em Goias analisa um jogo como o Chinem faz, incrível. Para um bom apreciador de Futebol e suas táticas, isso foi uma verdadeira aula!

    Comentário by Paulo Cesar — 10 de fevereiro de 2016 @ 12:27

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