É um aproveitamento pífio,
já que a equipe realizou apenas 6 das 26 partidas contra
times da elite do país. Considerando somente os jogos contra
Atlético (4 vezes pelo Goianão) e Vitória (2
vezes pela Copa do Brasil), o aproveitamento fica nos ridículos
28%.
Mas isso não quer dizer que
o Goiás será rebaixado – das quatro equipes
que iniciaram o campeonato com os piores aproveitamentos em 2009
(Fluminense, Coritiba, Santo André e Barueri), duas vão
disputar a série B em 2010 (Coritiba e Santo André).
E o Goiás pode mudar o rumo
dessa história com Leão: o treinador é uma
das referências para montagem de equipes, como Santos em 2002
e São Paulo em 2005.
É verdade também que
seu último bom trabalho foi há cinco anos no próprio
São Paulo. Com certeza o treinador está com fome de
conquistas e títulos.
Leão nos coletivos já
mudou o esquema tático para o 4-3-3 (4-2-3-1) com Calaça;
Douglas, Tolói, Ernando e Saci/Jadílson; Túlio
e Wêndel Santos; Sacconi, Lovinho e Éverton Santos;
Rafael Moura.
A primeira característica
que fica evidente nessa nova formação é a ofensividade.
Sacconi continua sendo o meia de ligação, mas terá
a tarefa dividida com Éverton Santos e Lovinho que são
os dois atacantes que devem atuar abertos e encostarão em
Rafael Moura.
Como conseqüência, a
equipe demonstra fragilidade na marcação da intermediária
apenas com dois volantes. Sacconi, Éverton Santos e Lovinho
deverão sempre ajudar a defesa, ou seja, precisam jogar também
quando o time estiver sem a bola. Aí outro problema aparece:
o preparo físico dos jogadores, que deixa a desejar desde
a saída do Hélio dos Anjos. Duas semanas é
pouco para adquiri um condicionamento físico que seja suficiente
para jogar os 90 minutos com intensidade.
A característica dos jogadores
escolhidos por Leão exibe deficiências: Amaral, que
está sendo bastante criticado pela torcida e com razão,
exerce um papel fundamental nas bolas aéreas, mas vai estar
no banco de reservas. Em contrapartida, Douglas e Saci/Jadílson
não terão a obrigatoriedade de atacar sempre, já
que Lovinho e Éverton Santos atacarão pelos lados
do campo. Com os laterais mais fixos do que o habitual, os adversários
encontrarão mais dificuldades em cruzar para área
gerando o famoso “chuveirinho”.
Douglas e Saci ou Jadílson
serão sacrificados já que são jogadores que
se destacam mais como alas do que como laterais. A torcida que está
acostumada com Paulo Baier e Jadílson em 2005, Vítor
nos anos seguintes e Júlio César em 2009, estranhará
a ausência dos laterais nas jogadas ofensivas o tempo todo.
Quanto ao Guarani, a equipe está
na mesma situação que o Goiás: aproveitamento
de 47%, sendo que disputou a série A2 do campeonato Paulista
e não conseguiu acesso à série A1. O time paulista
também está há duas semanas sem disputar um
jogo oficial e deve estrear seu técnico, o bom Vagner Mancini,
no Brasileirão.
A diferença é que
o time goiano tem total condição de sair do buraco
em que se meteu enquanto o time paulista é um seríssimo
candidato ao rebaixamento.
Para o jogo de domingo, o Guarani
conta com o fator casa e torcida. Já o Goiás, conta
com a qualidade dos seus jogadores que é muito superior ao
bugrinos.
Leão é experiente
e vitorioso. Sabe muito bem dos defeitos e das qualidades do time
que está montando, que vai muito além do que citado
aqui nessa coluna. Mas os defeitos somente serão corrigidos
e as qualidades aprimoradas com o decorrer do campeonato. E isso
deveria ter sido analisado na pré-temporada e no campeonato
Goiano. A falta de planejamento do Goiás para 2010 faz o
clube entrar no Brasileirão como uma das piores equipes e
precisa fazer nos sete primeiros jogos que acontecerão antes
do recesso para a Copa do Mundo o que não fez em quatro meses.