O Goiás no Brasileirão 2010
Quarta, 05 de Maio de 2010

O Goiás inicia o Brasileirão 2010 com o segundo pior aproveitamento entre os times da série A com apenas 51%. Ganha somente do Guarani, que é o seu primeiro adversário.

É um aproveitamento pífio, já que a equipe realizou apenas 6 das 26 partidas contra times da elite do país. Considerando somente os jogos contra Atlético (4 vezes pelo Goianão) e Vitória (2 vezes pela Copa do Brasil), o aproveitamento fica nos ridículos 28%.

Mas isso não quer dizer que o Goiás será rebaixado – das quatro equipes que iniciaram o campeonato com os piores aproveitamentos em 2009 (Fluminense, Coritiba, Santo André e Barueri), duas vão disputar a série B em 2010 (Coritiba e Santo André).

E o Goiás pode mudar o rumo dessa história com Leão: o treinador é uma das referências para montagem de equipes, como Santos em 2002 e São Paulo em 2005.

É verdade também que seu último bom trabalho foi há cinco anos no próprio São Paulo. Com certeza o treinador está com fome de conquistas e títulos.

Leão nos coletivos já mudou o esquema tático para o 4-3-3 (4-2-3-1) com Calaça; Douglas, Tolói, Ernando e Saci/Jadílson; Túlio e Wêndel Santos; Sacconi, Lovinho e Éverton Santos; Rafael Moura.

A primeira característica que fica evidente nessa nova formação é a ofensividade. Sacconi continua sendo o meia de ligação, mas terá a tarefa dividida com Éverton Santos e Lovinho que são os dois atacantes que devem atuar abertos e encostarão em Rafael Moura.

Como conseqüência, a equipe demonstra fragilidade na marcação da intermediária apenas com dois volantes. Sacconi, Éverton Santos e Lovinho deverão sempre ajudar a defesa, ou seja, precisam jogar também quando o time estiver sem a bola. Aí outro problema aparece: o preparo físico dos jogadores, que deixa a desejar desde a saída do Hélio dos Anjos. Duas semanas é pouco para adquiri um condicionamento físico que seja suficiente para jogar os 90 minutos com intensidade.

A característica dos jogadores escolhidos por Leão exibe deficiências: Amaral, que está sendo bastante criticado pela torcida e com razão, exerce um papel fundamental nas bolas aéreas, mas vai estar no banco de reservas. Em contrapartida, Douglas e Saci/Jadílson não terão a obrigatoriedade de atacar sempre, já que Lovinho e Éverton Santos atacarão pelos lados do campo. Com os laterais mais fixos do que o habitual, os adversários encontrarão mais dificuldades em cruzar para área gerando o famoso “chuveirinho”.

Douglas e Saci ou Jadílson serão sacrificados já que são jogadores que se destacam mais como alas do que como laterais. A torcida que está acostumada com Paulo Baier e Jadílson em 2005, Vítor nos anos seguintes e Júlio César em 2009, estranhará a ausência dos laterais nas jogadas ofensivas o tempo todo.

Quanto ao Guarani, a equipe está na mesma situação que o Goiás: aproveitamento de 47%, sendo que disputou a série A2 do campeonato Paulista e não conseguiu acesso à série A1. O time paulista também está há duas semanas sem disputar um jogo oficial e deve estrear seu técnico, o bom Vagner Mancini, no Brasileirão.

A diferença é que o time goiano tem total condição de sair do buraco em que se meteu enquanto o time paulista é um seríssimo candidato ao rebaixamento.

Para o jogo de domingo, o Guarani conta com o fator casa e torcida. Já o Goiás, conta com a qualidade dos seus jogadores que é muito superior ao bugrinos.

Leão é experiente e vitorioso. Sabe muito bem dos defeitos e das qualidades do time que está montando, que vai muito além do que citado aqui nessa coluna. Mas os defeitos somente serão corrigidos e as qualidades aprimoradas com o decorrer do campeonato. E isso deveria ter sido analisado na pré-temporada e no campeonato Goiano. A falta de planejamento do Goiás para 2010 faz o clube entrar no Brasileirão como uma das piores equipes e precisa fazer nos sete primeiros jogos que acontecerão antes do recesso para a Copa do Mundo o que não fez em quatro meses.