Resultados, bom desempenho, qualidade ou emoção?!? Eis o dilema… 16 novembro 2016 resultados

Poderia dizer que a vitória diante do Joinville, a primeira de virada de Gilson Kleina no Goiás, foi na base da superação devido à reviravolta que a peleja teve. Daí entraria no conflito RESULTADO x DESEMPENHO. EMOÇÃO x QUALIDADE DO JOGO. O resultado e a emoção vieram. Mas… o desempenho e a qualidade caminharam juntos?

Dentre os fatores que influenciam no desempenho e na qualidade do jogo, está o trabalho do treinador. Gilson Kleina errou contra o Bahia, quando optou por jogar com Carlos na ponta e Saturnino na lateral esquerda. Fragilizou completamente aquele setor. Foi a pior partida do Verdão sob o comando dele. Quiçá da temporada. E o que ele fez para enfrentar o Joinville? Entrou com Carlos e Saturnino de novo! A derrota de 4 a 2 com um desempenho pífio para o time baiano não bastou?

Kleina erra também na escolha de quem deve ser o goleiro. Se é que Márcio ainda pode ser considerado goleiro em atividade. O fato é que Kleina considera. E assume o risco por isso.

Márcio tem uma das piores médias entre os goleiros considerados titulares da Série B: ele leva um gol a cada 3,1 finalizações certas com a camisa esmeraldina. Os goleiros com a pior média são Renan Rocha (Bragantino) e Rafael Santos (Tupi) com um gol a cada 2,8 finalizações no alvo. O melhor é Diogo Silva (Luverdense) com um gol a cada 5,8 finalizações certas.

Ok, ok… Deve-se tomar o cuidado com números para que eles não sejam apenas quantitativos. Diogo Silva, por exemplo, está muito longe de ser o melhor goleiro da Série B. Mas, no caso do Márcio, eles são qualitativos também! O atual dono da camisa número 1 falhou indiscutivelmente em 9 dos 19 gols tomados. E ainda temos outros discutíveis. Alguma dúvida de que ele é um dos piores goleiros do campeonato?

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Em mais uma falha do goleiro Márcio, o Joinville abre o placar com Jael (Reprodução: SPORTV).

Os problemas não param por aqui. Quem não concorda de que o Goiás tem jogadores de ataque com nível de Série A? E sabe qual é a principal jogada do sistema ofensivo? O cruzamento para área. O time esmeraldino cruzou 70 vezes contra o Joinville. Setenta! S-E-T-E-N-T-A!!! Bateu o recorde do campeonato de 55 cruzamentos do Criciúma na partida contra o próprio JEC.

 

chinem II

Dois gols da vitória de virada contra o Joinville nasceram de cruzamentos para área (Reprodução: SPORTV).

Certamente esses números foram potencializados pelo contexto da peleja. Mas essa característica não é exclusiva da última partida. Kleina tem a maior média de cruzamentos por partida entre os técnicos da Série B com quase 30 por jogo.

Técnico

Time(s)

Cruzamentos / Jogo

Gilson Kleina

Goiás

29.8

Doriva

Bahia

28.6

Guto Ferreira

Bahia

28.2

Roberto Fernandes

Paraná

27.9

Rogério Mancini

Vila

27.8

Ricardinho

Tupi

26.6

Ramon

JEC

26.5

Marcelo Veiga

Bragantino

26.4

Gilmar Dal Pozzo

Paysandu

25.8

Roberto Cavalo

Criciúma

25.4

Jorginho

Vasco

24.9

Marcelo Martelotte

Paraná

23.9

Lisca

JEC

23.9

Léo Condé

Goiás + Bragantino

23.6

Toninho Cecílio

Bragantino

23.4

Júnior Rocha

Luverdense

23.2

Mazola Júnior

CRB

23.1

Dado Cavalcanti

Paysandu

23.0

Sérgio Soares

Ceará

22.8

Cláudio Tencatti

Londrina

22.7

Enderson Moreira

Goiás

22.6

Marcelo Cabo

Atlético

22.5

Givanildo

Náutico

21.5

Rogério Zimmermann

Brasil de Pelotas

21.3

Guilherme Alves

Vila

20.3

Flávio Araújo

Sampaio Côrrea

20.3

Gallo

Náutico

20.2

Silas

Avaí

19.6

Fernando Diniz

Oeste

19.5

Ricardo Drubscky

Tupi

18.7

Wagner Lopes

Sampaio Côrrea

18.6

Hermeson Maria

JEC

16.4

Estevam Soares

Tupi + Bragantino

16.3

Claudinei Oliveira

Avaí + Paraná

15.3

Ranking da média de cruzamentos por jogo entre os técnicos com mais de cinco partidas na Série B até a 36ª rodada

 

Esse é o modelo de jogo do sistema ofensivo. Feio ou bonito é questão de gosto. Eu não gosto. Você gosta? O Goiás gosta? Partindo do princípio que temos Léo Sena, Léo Gamalho, Rossi e Walter (o melhor jogador disparado da segunda divisão), é aceitável ver o Goiás só ter como estratégia ir para a linha de fundo e cruzar na área? Isso porque, mesmo as jogadas saindo pelos flancos, os laterais pouco fazem as ultrapassagens. E cadê o jogo apoiado? As infiltrações? As movimentações? O facão? Os volantes entrando na área para bagunçar o sistema defensivo adversário?

Cruzamentos na área é uma arma útil. Mas quando uma equipe se torna dependente deles, as chances de êxito diminuem. Dos 23 tentos anotados sob o comando de Gilson Kleina, 11 vieram de cruzamentos (com a bola rolando ou parada). Quase a metade. Outros quatro vieram de pênalti. Sobraram oito gols para serem divididos entre a bola trabalhada, chutes de fora da área ou qualquer outra forma de jogada. A situação das últimas três partidas (Atlético, Náutico e JEC) pioram os dados: dos cinco gols marcados, quatro tiveram como a origem da jogada o cruzamento.

Culpa do treinador? Culpa de quem montou esse elenco? Falta de tempo para Kleina aplicar outro modelo de jogo? Qualquer que seja o diagnóstico, os rivais devem ser levados em conta. E, levando em consideração o baixíssimo nível do campeonato, o Goiás, que tem um dos maiores orçamentos, joga feio. Em plena Série B.

Rodolpho Chinem

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1 Comentário Quero comentar!

  • Rodolpho, diz a máxima: contra fatos não há argumentos. E os números não mentem.
    Mas…….o elenco montado pelo sr Ximenes e Enderson, é muito fraco. Laterais não existe, e quando tenta existir a qualidade é horrível.
    Meio campo deu uma pequena equilibrada, digo pequena, ok, após a chegada do esforçado Adriano.
    Na zaga, só depois da vaca no brejo é que colocaram o Duarte pra jogar e não temos outro a altura pra acompanhar, um outro zagueiro com mais experiência já que a formação de base do Goiás é totalmente questionável. Basta ver o Carlos Eduardo e os últimos anos.
    No meio, digamos que ficamos órfão de pai, mãe e parteira. Rossi despencou, certamente não fica e ligou o foda-se.
    Bom em resumo, 70% dos que estão ai, se por um acaso o Kleina tivesse desde o início,. com toda certeza não seriam contratado.

    Comentário by Wendll Faleiro — 16 de novembro de 2016 @ 20:00

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