O Raio-X da derrota 28 julho 2015

É difícil traduzir em números o esquema tático de Julinho Camargo. Na verdade, isso pouco importa. Essencial mesmo é a ocupação inteligente dos espaços. E para isso, o técnico esmeraldino utiliza linhas móveis por causa de seus meias abertos – nesse jogo foi David pela esquerda e Bruno Henrique pela direita no primeiro tempo.

O Goiás adiantou a marcação e subiu suas linhas (móveis) para o campo do Flamengo. Uma pressão bem coordenada, bem treinada. A ideia era fazer com que os adversários fossem para as laterais. Daí começavam as coberturas em diagonais, típico do futebol italiano. Característica marcante do notável e histórico treinador Arrigo Sacchi.

Goiás com seis homens no campo do Flamengo pressionando a saída de bola e com cobertura em diagonal (Reprodução: TV BAND)

 

Quando o Flamengo ultrapassou a linha do meio de campo, David e Bruno Henrique recuavam e formavam as famosas duas linhas de quatro.

Goiás armou duas linhas de quatro quando o Flamengo ultrapassou a linha do meio de campo (Reprodução: TV BAND)

 

O colunista ainda prefere David como volante. É melhor tê-lo jogando de frente para o gol no início das construções das jogadas. Como volante, David fez a diferença contra o Corinthians e Santos (sob o comando de Augusto César). E, apesar de ser um meia de origem, destacou-se atuando na frente da zaga em 2013 quando o time esmeraldino era comandado por Enderson Moreira.

Na primeira vez que David ficou de costas para a marcação, perdeu a bola e gerou o primeiro contra-ataque para o time carioca.

David, jogando de costas para a defesa adversária, perde a bola e gera um contra-ataque (Reprodução: TV GLOBO)

 

O colunista também prefere quando o volante Rodrigo tem liberdade para subir. Na única vez que entrou na área com a bola rolando, gerou perigo ao goleiro César.

Volante Rodrigo apareceu uma única vez como opção dentro da área e chutou cruzado para fora (Reprodução: TV GLOBO)

  

É importante mostrar que nesse mesmo lance, David e Murilo acompanharam e se apresentaram como alternativas para Rodrigo. Sinais de que as jogadas de ataque estão evoluindo. Mais um grande avanço.

David e Murilo apareceram como alternativas nas jogadas ofensivas (Reprodução: TV GLOBO)

  

Várias chances foram criadas no primeiro tempo. A melhor delas foi novamente com Bruno Henrique, que desperdiçou.

Bruno Henrique perdeu mais uma excelente oportunidade (Reprodução: TV GLOBO)

  

Bruno Henrique é, disparado, o maior finalizador do Goiás no Brasileirão, com 70 no total. Tem uma média pífia para um meia-atacante com um gol a cada 35 finalizações. Um pecado!

No primeiro escanteio ofensivo do Goiás, aos 30 minutos do primeiro tempo, houve uma tentativa de jogada ensaiada. Diogo Barbosa cobrou com um passe na entrada da área para David. Bruno Henrique fez um movimento inteligente saindo da posição do rebote e entrando no segundo pau nas costas da defesa do Flamengo, mas David errou o cruzamento.

No escanteio ofensivo do Goiás, David recebe livre na entrada da área. Bruno Henrique se posiciona como homem do rebote, mas corre livre nas costas da defesa do Flamengo (Reprodução: TV BAND)

  

A bola aérea defensiva continua preocupando. Em cruzamento semelhante ao gol de Joel do Cruzeiro, Márcio Araújo se posiciona entre o zagueiro Fred e o lateral direito – dessa vez Gimenez. Mas cabeceou para fora.

Márcio Araújo se posiciona entre o zagueiro Fred e o lateral Gimenez. Foi assim que Joel fez o gol na vitória do Cruzeiro em cima do Goiás (Reprodução: TV BAND)

  

A imagem é clara: o Flamengo estava em superioridade numérica dentro da área do Goiás. E isso é inaceitável.

Aos 15 minutos do segundo tempo, Julinho Camargo trocou Bruno Henrique por Carlos. Substituição equivocada. Carlos não tem condições de atuar no futebol profissional ainda. Seus fundamentos não estão consolidados. E quem rever o gol que ele fez contra o Santos, vai notar que ele cabeceou errado. O Goiás não tem um jogador agressivo pelos flancos e eficiente na recomposição no banco de reservas. E na falta desse jogador, era melhor ter colocado Liniker.

Após essa substituição, Julinho Camargo inverteu o posicionamento do trio Rodrigo, David e Patrick. Patrick, que era lateral de origem, passou a ter mais liberdade para subir pelo lado esquerdo.

Na metade do segundo tempo, sem o gol sair e com o time jogando longe da intensidade do primeiro, Julinho Camargo tentou dar poder ofensivo colocando Lucas Coelho no lugar de Murilo.

Patrick, Rodrigo e David em suas novas funções. Guerreiro começou a dar sinais de que voltaria para a intermediária para abrir espaço na zaga do Goiás (Reprodução: TV BAND)

  

O problema é que na primeira vez que Lucas Coelho encostou na bola, deu um passe errado. Guerreiro puxou a marcação dos dois zagueiros Felipe Macedo e Fred. Houve espaço de sobra para Marcelo Cirino explorar. 

Guerreiro gira em cima de Felipe Macedo e toca onde está o “X” para Marcelo Cirino abrir o placar (Reprodução: TV BAND)

  

Essa jogada do Flamengo foi cantada por vários cronistas esportivos em âmbito nacional. Felipe Macedo fez a marcação homem a homem em cima do peruano e Fred se precipitou ao partir para o combate, abrindo espaço para Marcelo Cirino entrar em diagonal.

Princípios estruturais tanto de defesa quanto de ataque foram apresentados pelo time esmeraldino. As chances criadas não apareceram por acaso. Tudo isso é fruto de treinamento. Os trabalhos táticos de Julinho Camargo começam a surtir efeito. Resta saber se a diretoria vai municiar o treinador para aumentar a qualidade técnica.

Rodolpho Chinem

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2 Comentários Quero comentar!

  • Concordo com tudo que esse cara aí falou.

    Comentário by Rubs — 28 de julho de 2015 @ 13:01

  • Parabéns Rodolpho ,top seu texto..

    Comentário by ludmilla — 28 de julho de 2015 @ 13:02

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