O amadorismo encurta o tempo 4 julho 2016 02-07-2017_crb_x_goias_ac_5265

Enderson Moreira decepcionou na sua segunda passagem pelo Goiás: título goiano sem a menor graça, eliminação para o River do Piauí na Copa do Brasil e resultados pífios na Série B do Campeonato Brasileiro: 1 vitória, 2 empates e 4 derrotas (aproveitamento de 23,8%). Muito pouco para um técnico que teve pré-temporada, elenco que, se não é para brigar pelo acesso à elite do futebol brasileiro, é para estar no meio da tabela e condições de trabalho de dar inveja a qualquer adversário dessa temporada.

Se o foco for o desempenho, a herança é maldita. Isso vai refletir diretamente no desempenho da equipe sob o comando de Léo Condé, uma vez que ele ainda não teve nenhuma semana “cheia” para treinar.

Contra o CRB, o Goiás defensivamente foi desastroso. Além da falha individual do goleiro Renan no primeiro gol do time alagoano, a primeira linha defensiva (Johnathan, Wesley Matos, Anderson Salles e Juninho) não está movimentando de forma sincronizada. Johnathan e Wesley Matos sobem as linhas, mas Anderson Salles e Juninho ficam.

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1º gol do CRB: no início da jogada, a primeira linha defensiva composta por Johnathan, W. Matos, A. Salles e Juninho está alinhada (Reprodução: PREMIERE).

 

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No momento do lançamento, a primeira linha já aparece completamente desalinhada. Johnathan e W. Matos sobem, mas A. Salles e Juninho ficam (Reprodução: PREMIERE). 

Isso aconteceu com frequência durante o jogo. É consequência da marcação por encaixes individuais. Algo ultrapassado, mas rotineiro em várias equipes brasileiras. Dá pra contar nos dedos os times da Série A e Série B que aplicam a marcação por zona.

A transição defensiva é lenta. A reação após a perda da posse da bola é praticamente nula. A recomposição é muito mal feita principalmente por Léo Sena. É o típico jogador brasileiro que está querendo aparecer no individual – tem habilidade para isso, mas não se sacrifica para o coletivo. E prende demais a bola, prejudicando em vários momentos as construções das jogadas.

 

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Reação nula após a perda de posse da bola: Carlos, Cassiano e Léo Sena estão longe e caminhando… (Reprodução: PREMIERE).

 

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CRB explorou muito os lados pela falta de recomposição principalmente do Léo Sena (Reprodução: PREMIERE).

 

Faltou também concentração. O volante Willian, além de abrir a barreira na falta no segundo gol, falhou no lance que originou a falta em si: era tiro de meta para o CRB, a bola ia cair em cima do próprio Willian que começa a andar de costas em direção à linha do meio de campo com a pelota ainda no ar. A bola quica (coisa que jamais pode deixar acontecer), o atacante Zé Carlos dá um drible de corpo e recebe a falta de Wesley Matos.

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A falta do 2º gol do CRB aconteceu após a cobrança do tiro de meta: a bola quica onde o volante Willian está, que começa a caminhar de costas na direção da linha do meio de campo (Reprodução: PREMIERE).

  

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Willian abre a barreira e a bola passa no buraco deixado (Reprodução: PREMIERE).

 

O cúmulo da dispersão aconteceu na saída de bola no meio de campo após o segundo gol. Carlos deu dois toques e o juiz assinalou a inversão da jogada. Bizarro.

 

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Saída de bola após o segundo gol do CRB: Carlos dá o primeiro toque para frente (Reprodução: PREMIERE).

  

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Depois de tocar para frente, Carlos dá o segundo toque em seguida para trás (Reprodução: PREMIERE).

 

E Ofensivamente? Melhorou!

Princípios estruturais de ataque começaram aparecer como o apoio. Em vários momentos é possível flagrar triangulações principalmente pelo meio e pelo lado esquerdo. Tivemos mais posse de bola (54% contra 46%), mais finalizações (18 contra 14), mais passes (399 contra 233 passes certos) e mais cruzamentos (28 contra 18).

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Triangulações flagradas contra o CRB: predominância do meio e do lado esquerdo (Reprodução: PREMIERE).

 

Mas tem faltado amplitude. São raros os momentos em que a equipe apresenta uma alternativa do outro lado do setor em que a bola está. Esse princípio é fundamental para criar espaços no sistema defensivo adversário. Também tomamos bastante contra-ataques, principalmente no segundo tempo. Sinal de que o balanço defensivo está ruim.

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Flagrante raro nas jogadas ofensivas do Goiás: amplitude com os dois laterais (Reprodução: PREMIERE).

 

Léo Condé não é mágico. É treinador de futebol. E como qualquer treinador, precisa de tempo para aplicar o seu modelo de jogo. O problema é que estamos em julho. Mas a pergunta é: a diretoria sabe qual é o seu modelo de jogo? Conhece os seus métodos de treinamento? Sabe como é o seu dia-a-dia dentro de um clube? Como foi o processo de escolhe do atual comandante do Verdão?

O departamento de futebol do Goiás continua beirando o amadorismo. A segunda divisão é consequência do que acontece dentro dos muros da Serrinha. Contam exclusivamente com a sorte. E é somente ela que pode salvar a gestão do segundo biênio do presidente Sérgio Rassi.

Rodolpho Chinem

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2 Comentários Quero comentar!

  • Rodolpho, no casem relação ao que vc disse sobre o Léo Sena, não é possível que o treinador não irá chamar a atenção deste atleta!! Ele me parece que poderá ser a revelação do Goiás nos próximos anos porém está individualista demais, atrapalhando boas jogadas que poderiam efetivamente chegar ao gol do adversário.

    # SERGIO RASSI O PIOR PRESIDENTE DA HISTÓRIA DO GOIÁS

    # KD O DINHEIRO DO GOIÁS?

    # FORA FAMÍLIA PINHEIRO!!

    Comentário by Ary Jr. — 4 de julho de 2016 @ 15:18

  • BOM DIA!!!! REALMENTE, A COISA NÃO ESTA BOA PARA O MAIOR DO CENTRO OESTE, PERDER JOGO TREINO PARA O GRÊMIO ANÁPOLIS É O FIM, A ZAGA NEM JUNTANDO TUDO CONSEGUE PARAR ALGUM ATACANTE. NÃO SERIA A HORA DE CONTRATAR UM PROFISSIONAL COMO FOI CONTRATADO UMA VEZ PARA FAZER UM TRABALHO PSICOLÓGICO COM OS ATLETAS??? ESTA FALTANDO CONFIANÇA, NINGUÉM ESTA BRIGANDO POR NADA, PENSAM QUE VÃO ENTRAR E GANHAR A QUALQUER MOMENTO, ESTA FALTANDO ESPIRITO DE GUERREIROS. FICA A DICA.

    Comentário by ESMERALDINO APAIXONADO — 5 de julho de 2016 @ 11:55

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