O acaso vai nos proteger? 2 novembro 2015 placar

O Goiás ficou largado ao acaso em 2015. Julinho Camargo, um dos raríssimos acertos da diretoria nesse ano, foi contratado pela indicação de Paulo Roberto Falcão após dizer não ao cargo de treinador. Mesmo assim, foi demitido com a derrota para a Ponte Preta, com menos de três meses de trabalho.

Após a passagem trágica de Artur Neto (que não deveria ter vindo, mas já que veio, deveria ser demitido após a derrota para o Figueirense), o mais sensato seria buscar um treinador para fazer o planejamento para 2016, com ou sem a presença do atual presidente Sérgio Rassi para o próximo biênio. Mas a escolha foi por Danny Sérgio, com a justificativa de que o até então preparador físico era “querido” pelos jogadores.

 

Técnico Danny Sérgio (Foto: Site oficial do Goiás E. C.)

 

Mais um diagnóstico errado. Os jogadores não gostavam do Artur Neto por causa de sua metodologia de trabalho. Na primeira semana sob o seu comando, peças importantes do elenco já reclamavam dos seus treinamentos. Procede sim a informação de que a personalidade de Artur Neto incomodava todos, mas isso foi só a gota d’água para acontecer o que aconteceu. E essa foi a pauta para boa parte da imprensa que prefere a fofoca do que sentar na mini arquibancada do CT para entender o que se passa dentro das quatro linhas.

Eis então que a atual comissão técnica surpreende a todos! Pelo menos a todos que acompanham seus treinamentos. Se Danny Sérgio se mostrasse tão arcaico quanto Artur Neto, não teria amizade que o livrasse de ser “fritado”. Sua estratégia foi clara: conquistar os jogadores na base do trabalho.

Da esquerda para direita: Wanderley Filho (auxiliar técnico), Danny Sérgio (técnico) e Rafael Rocha (auxiliar técnico e analista de desempenho). Foto: Site oficial do Goiás E.C.

 

Estratégia que vem dando certo. E dar certo não significa manter o Goiás na elite do futebol brasileiro. Significa fazer a transição bem feita para o próximo ano, independente de quem seja o treinador, independente de qual divisão o time esmeraldino irá jogar.

Danny Sérgio executa treinamentos conceituais no início da semana. Com uma metodologia bastante dinâmica, que lembra Enderson Moreira e Julinho Camargo, os jogadores trabalharam triângulações em diferentes setores do campo, inversões de campo e defesa em bloco. Se não há tempo suficiente para montar um modelo de jogo (repito: é impossível formatar times em dois ou três meses de trabalho), Danny Sérgio trabalha os titulares nos últimos dias da semana para atuarem em cima dos principais defeitos e virtudes dos adversários.

Em função de todo esse contexto, a atual comissão técnica vem demostrando competência. Duvida?

Para o jogo contra o Cruzeiro, ficou claro que o erro mais grave do time esmeraldino durante os treinamentos foi a “estourada” do lateral direito Gimenez na frente. Não faltaram orientações para ajustar esse problema. Pois então… No início da jogada do gol de Arrascaeta, Gimenez deu combate no adversário no meio de campo, gerando espaço na suas costas para Willian (Bigode) explorar. A marcação é por zona e não individual. Por isso, Gimenez não deveria estar ali.

Gimenez não deveria estar ali. A marcação é por zona e não individual (Reprodução: PUC TV).

 

Zé Love, Érik, Bruno Henrique e Arthur sobem as linhas enquanto o restante do time fica para trás. Resultado: buraco no meio do campo (Reprodução: PUC TV).

 

Willian explora o espaço deixado por Gimenez (Reprodução: PUC TV).

 

De Arrascaeta aparece livre para fazer 1 a 0 após rebote do goleiro Renan (Reprodução PUC TV).

 

Obviamente, outros motivos também foram fundamentais para a derrota para o time mineiro, como a falta de compactação na defesa ou a falta de amplitude no ataque.

A falta de amplitude do time esmeraldino favorece a defesa adversária.

 

Mano Menezes colocou os laterais Fabrício e Ceará praticamente nas linhas laterais e explorou o que o Serra Dourada tem de melhor: as dimensões do campo.

 

E, na semana do jogo contra o Internacional, a comissão técnica se mostrou preocupada com a recomposição de Bruno Henrique e Érik. Se algum dos dois deixassem de ajudar o sistema defensivo, um dos volantes acabaria tendo que atuar pelos lados do campo, o que deixaria o meio aberto para o time gaúcho. No gol de Valdívia, se a falha de Felipe Macedo for esquecida e a jogada em si for analisada, fica claro que a preocupação da comissão técnica não era em vão.

No início da jogada do gol do Internacional, Bruno Henrique não recompõe o sistema defensivo. Clayton Sales tenta combater Ernando na zona de Bruno Henrique e Valdivia explora as suas costas (Reprodução: PFC / SPORTV).

 

Efeito dominó: Sem Bruno Henrique na sua zona de marcação, David e Patrick sobem para fazer a cobertura e deixa Anderson livre no meio (Reprodução: PFC / SPORTV).

 

O Goiás voltou dos vestiários com outra postura. Tanto tática quanto psicológica. Bruno Henrique, Érik e Zé Love se movimentaram constantemente no ataque (sem guardar posições como no primeiro tempo em que o primeiro atuou pela direita, o segundo pela esquerda e o terceiro centralizado).

Último passe no gol de empate: Érik aberto pela esquerda e Bruno Henrique e Zé Love entre os zagueiros com Arthur se aproximando (Reprodução: PFC / SPORTV).

 

Início da jogada do segundo gol: Bruno Henrique aberto na esquerda, Érik na direita e Zé Love centralizado (Reprodução: PFC / SPORTV).

 

Quatro jogadores esmeraldinos procuram infiltrar na área contra quatro defensores colorados: igualdade numérica. Flagrante raro de ser visto durante todo ano de 2015 (Reprodução: PFC / SPORTV).

 

Deu certo. Deu muito certo. O Goiás virou o jogo em cinco minutos. E reacendeu a esperança dos esmeraldinos para permanecer na Série A.

Enquanto a alta cúpula da Serrinha permanece distraída, o acaso vai nos protegendo.

Rodolpho Chinem

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3 Comentários Quero comentar!

  • Como disse o Neto Rocha, mais uma aula do Rodolpho Chinem, parabéns e obrigado.
    Acho que estou “começando a aprender”(rs), esse posicionamento fixo do Bruno Henrique no 1º tempo eu percebi, pensei, “o cara parado na direita facilita demais a marcação do Ernando”.
    Bom saber que o Danny está fazendo um bom trabalho, nos dá esperança de aproveitar essas brechas que nossos adversários de Z4 estão dando.

    Comentário by Ivanez — 2 de novembro de 2015 @ 19:42

  • Parabéns Chinen, por abrir nossos olhos!

    Comentário by Carlao — 2 de novembro de 2015 @ 19:53

  • Cicero -

    O acaso ja vem nos salvando ha inumeras rodadas. Em outras circumstancias, o Goias ja estaria rebaixado ha muito tempo, a sorte e que este ano tem muito time horroroso querendo cair de qualquer maneira. Existem no minimo 5 times que querem as 4 vagas para rebaixar. Parece mentira mas eles estao brigando ponto a ponto pra cair. Ninguem quer fazer ponto! Parece ate piada mas este ano alguem escapa com menos de 40 pontos. Pode anotar ai!
    Se o Goias tivesse pelo menos uma pontinha minima de futebol, empataria com o flamercadoria, venceria o Coritiba, o Sao Paulo e pronto. Mas com esse time mediocre e esse futebol pifio, so nos resta torcer contra os outros e para o novo jogador o tal de “acaso” que parece ser mesmo a nossa salvacao.
    Ja estou cansado de torcer contra os outros. Quando sera que voltarei a torcer para o meu time?
    Abraco
    Tony – Tampa Bay FL

    Comentário by Tony Falico — 3 de novembro de 2015 @ 18:40

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