Não desprezem a Canedense

Não caros leitores, eu não virei torcedor ou admirador da jovem equipe de Senador Canedo. Mas digo isso para se lembrarem dessa partida como um marco na história recente do Goiás: A mudança de esquema tático da equipe e até mesmo a mudança do jeito de jogar após anos. Desde Celso Roth (ou Péricles Chamusca, senão me engano) não via algo parecido.

Em primeiro lugar, ressalto a saída do zagueiro em troca de um volante. Muitos falam: “Agora que Deus nos acuda, a defesa ficará desguarnecida”. Discordo veementemente, Jorginho está encontrando uma solução plausível para um meio-campo que não vem mostrando criatividade nenhuma, sem perder seu poderio ofensivo. Solução inteligentíssima.

Jorginho, ao colocar Rithely no lugar de João Paulo (o que achei estranho, tem sido o zagueiro mais lúcido do time) fez com que a marcação ficasse adiantada e dá mobilidade ao Goiás se armar novamente para atacar.

Com Amaral e Rithely guarnecendo investidas, o Goiás segurou a bola no campo de ataque, liberando um pouco o Wellington Monteiro e as subidas alternadas dos laterais. Isso decidiu a partida.

A outra mudança, aplaudida pela torcida, foi a entrada de Wendell. Ele não é o centrocampista que queremos – ele é atacante - mas resolve muito bem em um quesito que o meio-campista clássico deve fazer: Atrair a marcação e limpar as jogadas para os companheiros os fazerem ou concluir a gol. Wendell não balançou a rede, muito menos participou diretamente com alguma assistência, mas atraiu a marcação e deu muita qualidade às jogadas do Goiás.

Essa solução – ausência do meio-campo clássico - foi quase a mesma solução encontrada por Cuca em 2003.

O Goiás estava mega-apático em 2003, e pior, na lanterna do Brasileirão, a dez pontos do penúltimo colocado. Cuca chegou com dez jogadores a menos - corretamente dispensados, dentre eles o meia Caíco, titular até então – e com seu outro meia-armador seriamente contundido, no caso, Danilo. O que Cuca fez?

Não utilizou a idéia de que um time deve ter obrigatoriamente um meia, mas sim dois atacantes rápidos e um cara matador, aliado a um trio de volantes com passe razoável, com uma marcação esplendorosa e laterais com obediência tática canina. Sem contar a dupla de zagueiros, um deles já experiente e o outro, jovem, excelente no jogo aéreo e antecipação.

Foi o que aconteceu na partida contra a Canedense. É claro e óbvia a fragilidade física e técnica da equipe da Grande Goiânia (mais física, na minha opinião). E também é lógico que o time 2003 é melhor que o de hoje. Afinal, quem não queria Clemerson de Araújo Soares e Edinaldo Batista Libânio em seu ataque? E olha que eles tinham o Editácio Vieira de Andrade como matador. Não tinham o Fernando Lúcio da Costa.

O técnico do Verde estava esperando a oportunidade para fazer isso. Só não concordo com uma coisa: Por quê improvisar Saci? Este não tem mostrado ser o camisa dez que o Goiás merece. Coloque três atacantes logo.

A prova de fogo dessa grande mudança será ainda esta semana. Contra o Ituiutaba e contra as Velhas Lagartixas.

Arrivederci!