Goiás usou a estratégia errada. Foi um desastre. 20 setembro 2016 kleina-treino

Se você fosse Guto Ferreira, técnico do Bahia, e analisasse a escalação do Goiás para a peleja do último final de semana o que você faria?

Pareceu tão óbvio a vulnerabilidade do setor esquerdo do time esmeraldino que não deu outra: o time baiano explorou com grande frequência o lado de Felipe Saturnino e Carlos. A fragilidade física de ambos que resultou na falta de pressão no adversário, a ineficiência técnica na marcação e a péssima cobertura de Alex Alves eram motivos mais do que suficientes para o Bahia focar em atacar por esse setor.

Mapa de calor do Bahia: predominância pelo lado esquerdo do Goiás (Fonte: Footstats).

Mapa de calor do Bahia: predominância pelo lado esquerdo do Goiás (Fonte: Footstats).

Os erros na formatação da equipe começaram aí. Se Gilson Kleina quisesse entrar com esses mesmos jogadores, que colocasse Rossi pela esquerda e Carlos pela direita. Afinal, Rossi tem mais eficiência nos desarmes (27 no campeonato sendo 6 contra o Bahia) do que Carlos (14 no campeonato sendo 1 contra o Bahia). Equilibraria mais o sistema defensivo.

Outro erro grave foi montar a estratégia do contra-ataque com Léo Sena fazendo a transição ofensiva. Nada contra o meia esmeraldino, muito pelo contrário. Vem demonstrando bons números na Série B e deve ser titular por merecimento. Mas o garoto oriundo da base do Goiás não sabe a hora de dar um ou dois ou mais toques na bola. Prende a bola quando precisa soltar, diminuindo a velocidade da jogada e matando os contra-ataques e erra demais os passes em profundidade. E constantemente volta nos pés dos volantes para iniciar as jogadas, mas não acompanha a subida do time.

Consequência disso? Quem buscou atuar entre as linhas do Bahia na etapa inicial para dar o passe para Carlos e Rossi quando a bola se aproximava do terço final foi Marcão. Será que o atacante tem essa característica?

Marcão trabalhando entre as linhas do Bahia. Ele tem essa característica? (Reprodução: SPORTV).

Marcão trabalhando entre as linhas do Bahia. Ele tem essa característica? (Reprodução: SPORTV).

Goiás se aproxima do terço final do campo com Marcão armando (Reprodução: SPORTV).

Goiás se aproxima do terço final do campo com Marcão armando (Reprodução: SPORTV).

 

Como se não bastasse o sábado desastroso, Gilson Kleina errou também na substituição. Sacou Carlos para a entrada de Daniel Carvalho aos 10 minutos do 2º tempo quando o jogo ainda estava 1 a 1. Colocou Patrick para recompor a segunda linha pelo lado esquerdo para tentar resolver o problema que vinha desde o 1º tempo e perdeu a marcação na faixa central. Três minutos depois, Renato Cajá aparece livre pelo meio na entrada da área e marca um bonito gol. Veja o vídeo com a descrição do lance clicando no link abaixo:

 

Os números finais traduzem muito bem o que foi o jogo: 60% de posse de bola, 21 finalizações, 398 passes certos (94% de acertos), 40 cruzamentos (!!!) e 8 escanteios do tricolor de aço contra 40% de posse de bola, 5 finalizações (sendo a primeira com a bola rolando apenas aos 35 minutos do segundo tempo), 243 passes certos (89% de acertos), 16 cruzamentos e 4 escanteios do Verdão.

 

Se não foi a pior partida do Goiás nessa Série B, certamente foi uma das piores. Mas não é pra esquecer. É pra aprender.

Rodolpho Chinem

 

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1 Comentário Quero comentar!

  • Não entendi o seguinte : Se o Juninho estava no banco enquanto o Jefferson jogava, porque não entrou com o Jefferson? Sabemos de suas limitações mas pelo menos na marcação poderia ajudar um pouco mais que o Saturnino.

    Comentário by Manoel Fernandes — 20 de setembro de 2016 @ 16:08

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