Deixa o “Gordinho” trabalhar…!! 24 agosto 2015 Julinho32

Quem procura conhecer o trabalho que vem sendo realizado no dia a dia do Goiás compra a filosofia de jogo de Julinho Camargo. O cara é diferenciado. Não que seja melhor (ou pior) do que os outros treinadores. Mas é diferente.

Os resultados passaram a ser consequência de um modelo de jogo que não é visto em nenhum time da Série A do Brasileirão. Na defesa, Julinho executa os princípios estruturais italianos. As coberturas em diagonais, já descritas em posts anteriores, não só funcionam como quebram os paradigmas das linhas fixas.

No ataque, sem contar com um meia que jogue pela esquerda com velocidade e de forma intensa, Julinho recorre a forma brasileiríssima de agredir o adversário. Como? Utilizando um ponta pela direita. Vicente Feola e Aymoré Moreira podem não ser referências para o comandante esmeraldino. Mas as seleções brasileiras de 1958 e 1962 tinham um ponta-direita que é um dos melhores jogadores da história do futebol mundial: Garrincha.

Contra o Vasco, Bruno Henrique infernizou a defesa cruzmaltina (mais uma vez faltou o gol…). E David resguardou a posição pelo lado esquerdo, assim como Zagallo equilibrava a seleção bi-campeã do mundo. Conclusão: Goiás goleou o time carioca por 3×0, mesmo sem Felipe Menezes.

Mapa de calor do Bruno Henrique contra o Vasco (Fonte: Footstats).

 

Mapa de calor do David contra o Vasco (Fonte: Footstats).

 

E Zé Love? Bem… O cara é carismático, tem auto-confiança, cancha e marcou um golaço aos quatro minutos do primeiro tempo. Faltava isso para o Verdão: pisar forte no gramado. É bem verdade que está atrasado taticamente em relação ao que Julinho quer. O que é natural. Afinal, mal completou uma semana de treinamentos.

 

Zé Love na primeira finalização com o manto sagrado: gol de bicicleta (Reprodução: SPORTV).

 

Na bola parada, o time esmeraldino apresenta em cada partida uma jogada ensaiada. Dessa vez, em uma falta na intermediária, Diogo Barbosa tocou curto para David e recebeu de volta em profundidade pela lateral. Rodrigo, que inicialmente estava na posição do rebote, aparece como homem surpresa no segundo pau e tem a chance de ampliar o placar de dentro da pequena área cara a cara com Martín Silva.

 

Falta ofensiva na intermediária. Diogo Barbosa toca curto para David e corre para receber em profundidade. Rodrigo parte por trás da zaga adversária (Reprodução: SPORTV).

 

Diogo Barbosa faz o cruzamento perfeito para Rodrigo (Reprodução: SPORTV).

 

Rodrigo perde uma chance incrível de ampliar o placar (Reprodução: SPORTV).

 

Muitos torcedores e cronistas esportivos pediram a cabeça do técnico esmeraldino rodada após rodada e só pararam quando o Goiás venceu o São Paulo em pleno Morumbi. Menos de dois meses de trabalho e mesmo com três derrotas (Cruzeiro, Internacional e Flamengo) e três empates (Coritiba, Atlético MG e Chapecoense) não são suficientes para avaliar qualquer profissional.

Na verdade, as críticas já começaram quando a diretoria anunciou o professor. O argumento? “Quem é Julinho Camargo?”. Utilizou-se da ignorância para partir para a ignorância. O blog recebeu a seguinte mensagem na semana em que Julinho foi apresentado de um jogador do atual plantel que já havia sido treinado pelo gaúcho: “Tem um bom trabalho de campo”. Você pode ler mais sobre o histórico profissional no blog Verde 33 da ESPN, escrito por Élder Dias – um dos poucos que pesquisaram, clicando AQUI.

Teve quem chegou a dizer que o problema do futebol brasileiro eram os técnicos gaúchos. Definitivamente, 7 a 1 foi pouco. Pelo menos a diretoria bancou o técnico nascido no Rio Grande do Sul, mesmo sem vencer as seis primeiras partidas. Críticas construtivas são sempre válidas, mas elogios também são: ponto para os dirigentes.

É bom frisar quem remou contra a maré e comprou a briga optando pela continuidade de Julinho Camargo no cargo, mesmo com os resultados adversos. Entre eles, torcedores como João Gabriel França, Juninho Bill e Neto Rocha e jornalistas como André Isac (PUC TV) e Élder Dias (citado acima).

Os brasileiros precisam mudar a cultura imediatista. Desde quem está dentro das quatro linhas (diretores, treinadores e jogadores) até quem está fora (imprensa e torcedores). O Goiás pode até cair para a segunda divisão de novo. Mas o problema está muito longe de ser o treinador.

Rodolpho Chinem

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