Carta aberta ao Presidente Sergio Rassi 22 agosto 2016 carta-aberta-22

Prezado Presidente,

 

Repito pela milésima vez: não estou acompanhando o dia a dia do Goiás (porque os treinos estão sendo fechados para a torcida). Portanto, não tenho outra hipótese para o péssimo desempenho do time dentro de campo que não seja a incompetência do Léo Condé. Afinal, o elenco do Goiás era pra estar, no mínimo, próximo do G4.

Contra o Sampaio Corrêa, foi 4-4-2 com Carlos e Cassiano recompondo pela direita e esquerda respectivamente. Quando tinha a bola, os dois se projetavam à frente. Daniel Carvalho e Léo Lima centralizavam armando as jogadas.

Contra o Tupi, no primeiro tempo, foi 4-3-1-2 com um losango no meio.

Pode escalar todos os jogadores possíveis. Pode utilizar todos os sistemas táticos criados na história. Se não houver modelo de jogo (conjunto de princípios estruturais tanto de defesa quanto de ataque), os esquemas táticos acabam sendo apenas números.

Convido o Sr. a ler o artigo escrito pelo treinador adjunto do sub-20 do Goiás Muriel Alves Fernandes para o site da Monara Marques justamente sobre esse assuno:

http://monaramarques.com.br/post/sistemas-taticos-e-o-que-realmente-importa

Escalar jogadores num esquema tático qualquer um faz. Bastar ter um Playstation ou qualquer outro game de futebol. Saber a função de cada jogador dentro desse esquema tático é o papel de um técnico de futebol. E Léo Condé não sabe.

Longe de mim querer criar verdades absolutas. O diagnóstico precisa ser baseado em critérios. Mas, acompanhando o Goiás de fora, o Léo Condé é o pior treinador que já passou na sua gestão (até porque Artur Neto não é treinador, portanto não conta).

Basta ver o Cassiano contra o Sampaio Corrêa: muita disposição, muita solidariedade, mas nenhuma inteligência. Mesmo quando o time maranhense criou superioridade numérica na sua zona e “triangulou”, Cassiano marcou individualmente o lateral. Basta ver na imagem abaixo:

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Cassiano na marcação individual mesmo quando o Sampaio criou superioridade numérica na sua zona (Reprodução: PREMIERE)

 

Contra o Tupi, o Goiás foi exatamente o mesmo de antes da parada de 21 dias. Isto é, não houve nenhuma evolução. NENHUMA! Existe uma barreira que impede o time esmeraldino de atacar com mais de 4 e de se defender com mais de 6 jogadores. Enquanto o futebol clama por um jogo coletivo em que os 11 jogadores participam de todas as fases do jogo, o Goiás joga como na década de 90.

Não existe sistema defensivo no mundo que tenha eficiência com 6 jogadores. Os volantes acabam completamente sobrecarregados. Precisam combater os flancos e acabam deixando o meio completamente aberto.

Os volantes do Goiás Adriano e Patrick vão combater o espaço deixado pelo lateral esquerdo Jefferson. O meio abre completamente para o time mineiro (Reprodução: PREMIERE)

Os volantes do Goiás Adriano e Patrick vão combater o espaço deixado pelo lateral esquerdo Jefferson. O meio abre completamente para o time mineiro (Reprodução: PREMIERE)

 

E se os volantes não ajudam a combater a lateral do campo, a situação é de inferioridade numérica, como aconteceu nesse lance com Léo Sena:

Léo Sena em inferioridade numérica contra dois jogadores do Tupi. Ninguém recompõe pelos lados e os volantes acabam sobrecarregados (Reprodução: PREMIERE)

Léo Sena em inferioridade numérica contra dois jogadores do Tupi. Ninguém recompõe pelos lados e os volantes acabam sobrecarregados (Reprodução: PREMIERE)

 

Não soa estranho o Wendel ser titular na Ponte Preta em todos os jogos desde que chegou (exceto contra o Coritiba em que estava suspenso)? Ponte Preta que está em 8º lugar na Série A. Isso porque saiu vaiado por uma torcida de certo time que está brigando pra não cair pra Série C…

E o que dizer da falta de entendimento das linhas entre Jefferson, Alex Alves, Wesley Matos e Léo Sena?

Jefferson estoura a sua linha para perseguir o extremo do Tupi (Reprodução: PREMIERE)

Jefferson estoura a sua linha para perseguir o extremo do Tupi (Reprodução: PREMIERE)

Alex Alves faz a cobertura no corredor deixado por Jefferson. Wesley Matos e Léo Sena aparecem em inferioridade numérica dentro da própria área (Reprodução: PREMIERE)

Alex Alves faz a cobertura no corredor deixado por Jefferson. Wesley Matos e Léo Sena aparecem em inferioridade numérica dentro da própria área (Reprodução: PREMIERE)

 

Faltam conceitos. Faltam princípios atualizados. Falta metodologia para saber passar para seus comandados. Não é por acaso que o técnico é chamado de professor.

Como se não bastasse todos os erros táticos, no final do jogo, aos 35 minutos do segundo tempo, um jogador do Tupi lesionou-se e Estevam Soares já havia feito as três substituições possíveis. O Goiás jogou os últimos 10 minutos (mais os acréscimos) com um homem a mais em campo. Será que Condé sabe o que fazer numa situação dessas?

Certamente não. O Tupi, a partir do momento em que ficou com um jogador a menos, passou a ter em média 76% da posse de bola até o gol de empate. E os números finais da partida demonstram que o torcedor esmeraldino tem que se desesperar: Foram 9 finalizações e 430 passes trocados do time mineiro contra 6 finalizações e 351 passes do Verdão.

O Goiás jogou nas últimas quatro rodadas contra concorrentes da zona de rebaixamento: Joinville, Sampaio Corrêa e Tupi. Teve um desempenho muito abaixo do que seus adversários. Portanto, é fácil chegar a conclusão de que a situação crítica do time esmeraldino não é obra do acaso. E também não é por falta de jogadores. É por falta de gestão.

Não basta escolher um técnico por causa de seus resultados (Léo Condé não tem resultados expressivos, diga-se de passagem). Precisa ter critérios para contratar. Precisa entender o que está acontecendo com o futebol e mudar. Essa é a maior herança que o Sr. pode deixar: um clube com um sistema profissional.

Desejo apenas sabedoria para tomar as decisões corretas. E saudações esmeraldinas.

Rodolpho Chinem

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1 Comentário Quero comentar!

  • Sensato de novo, não há evolução nítida.

    Comentário by Renan Vieira — 23 de agosto de 2016 @ 14:15

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