As escolhas do modelo de jogo e suas consequências… 12 outubro 2016 Domino1

Bola parada vem sendo considerada pelos estudiosos do futebol como um momento distinto dos demais – ofensivo, defensivo, transição ofensiva e transição defensiva. O jogo aéreo é o momento mais complicado de qualquer equipe ter o controle. Portanto, é difícil dizer o que é certo e errado nessa fase do jogo. Escolhas são feitas e é preciso atentar para as consequências.

O Bragantino teve seis escanteios ao seu favor. Cinco deles foram cobrados com a curva aberta e apenas um com a curva fechada. Dos cinco com a curva aberta, o Goiás apresentou três configurações de posicionamentos diferentes. Isso demonstra a falta de padrão e consequentemente total confusão dos defensores esmeraldinos.

Uma coisa é clara: o sistema defensivo esmeraldino num escanteio é caracterizado pela marcação mista (zonal e individual). No primeiro, aos 33 minutos do primeiro tempo, cinco jogadores marcam por zona sendo que os três primeiros (Léo Lima, Léo Gamalho e Wesley Matos) em diagonal pelo fato da curva ser aberta, o quarto (Alex Alves) está alinhado ao terceiro e o quinto (Patrick) fica na zona da segunda trave. Além disso, três defensores (Juninho, Sueliton e Adriano) fazem os encaixes individuais para diminuir a velocidade para impulsão dos oponentes e outros dois atletas (Léo Sena e Rossi) ficam na posição do rebote.

Chinem I

Primeira configuração de posicionamento no escanteio defensivo com curva aberta (Reprodução: PREMIERE)

 

No escanteio seguinte, oito minutos depois do primeiro, a configuração é completamente diferente: permanecem os mesmos cinco jogadores na marcação por zona, mas estão todos alinhados (exceto Wesley Matos) mesmo com a cobrança também sendo com a curva aberta. A quantidade de jogadores na marcação individual também diminui – Adriano se junta a Léo Sena na posição de rebote e Rossi fica no meio de campo para puxar o contra-ataque.

Chinem II

Segunda configuração de posicionamento no escanteio defensivo com curva aberta (Reprodução: PREMIERE)

 

Esse foi o único caso dos escanteios defensivos com a curva aberta em que os três primeiros da marcação por zona não estão em diagonal e o quarto não está atrás do terceiro. Conclui-se que foi um erro de posicionamento. A diagonal é para se posicionar na trajetória da bola (curva aberta). E quem deveria corrigir esse tipo de posicionamento é o goleiro. Márcio falhou diretamente contra o Vasco, Bahia, Oeste e Avaí. Mas também deixa a desejar nesses pequenos detalhes que passam despercebidos pela maioria da torcida.

No terceiro escanteio do Bragantino, já no segundo tempo, o Goiás apresenta a terceira configuração: dois jogadores na marcação individual (diferentemente do primeiro escanteio) e os defensores da marcação zonal estão em diagonal (diferentemente do segundo escanteio). Foi nesse escanteio que o time paulista empatou o jogo.

Chinem III

Terceira configuração de posicionamento no escanteio defensivo com curva aberta (Reprodução: PREMIERE)

 

Uma das formas de atacar a marcação por zona num escanteio é colocar superioridade numérica em uma das zonas. Para isso, um dos jogadores da marcação individual (Adriano) é levado para o primeiro pau e Juninho fica sozinho para obstruir a passagem de três adversários. Perceba na imagem anterior que Lucas Rocha tem muito espaço para tomar impulso e vencer Alex Alves e Wesley Matos na altura.

Adriano é envolvido para a primeira trave e Juninho fica responsável por diminuir a velocidade de três adversários (Reprodução: PERMIERE

Adriano é envolvido para a primeira trave e Juninho fica responsável por diminuir a velocidade de três adversários (Reprodução: PERMIERE)

 

Três jogadores do Bragantino saltam para disputar a bola contra Wesley Matos e Alex Alves – superioridade numérica do time paulista (Reprodução: SPORTV)

Três jogadores do Bragantino saltam para disputar a bola contra Wesley Matos e Alex Alves – superioridade numérica do time paulista (Reprodução: SPORTV)

 

Nove minutos depois, o Bragantino quase vira o jogo com um escanteio idêntico ao do gol: Juninho novamente está sozinho tendo que bloquear três jogadores do time paulista. Com impulso, o jogador do Bragantino vence Alex Alves na bola aérea.

 

Juninho novamente sozinho precisa diminuir a velocidade de três oponentes (Reprodução: PREMIERE)

Juninho novamente sozinho precisa diminuir a velocidade de três oponentes (Reprodução: PREMIERE)

 

Com espaço para ter impulso, o jogador do Bragantino vence novamente Alex Alves na bola aérea (Reprodução: PREMIERE)

Com espaço para ter impulso, o jogador do Bragantino vence novamente Alex Alves na bola aérea (Reprodução: PREMIERE)

 

Já são nove gols tomados pelo Goiás oriundos de escanteios ou faltas laterais no campeonato. Isso representa 25% dos tentos sofridos, ou seja, um a cada quatro gols. Se pegarmos os jogos com Gilson Kleina no comando, essa porcentagem aumenta para 44%. É um valor bastante significativo. Os problemas devido a escolha do tipo de marcação em uma bola parada estão escancarados. A forma de lidar com eles ainda não se mostraram eficientes.

Rodolpho Chinem

 

 

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2 Comentários Quero comentar!

  • Tem toda razão.
    Mas não seria limitação técnica somada a desobediência tática também? Isso está mais que claro que as escolhas foram péssimas. É contra o Vila, o que nos aguarda? Eis a questão! Porque esse time do Goiás, cada mergulho é um flash!

    Comentário by Wendell Faleiro — 12 de outubro de 2016 @ 12:57

  • Acho o MÁrcio um goleiro comunzaço que faz (ou fez) gols de bola parada. Mas dentro das 4 linhas, apesar de ter feito algumas defesas, não me possa segurança nenhuma! O problema é que o Goiás está com três goleiros muito caros e nenhum dos 3h com a capacidade que precisamos pra ajudar nesse tipo de orgaNização, pois podemos observar que a cada escanteio o time que está atacando também se posiciona de forma diferente, e cabe ao “dono da área”orientar sobre a melhor forma de sua zaga se posicionar.
    Abraço mestre Chinen!

    Comentário by Marcelo Profeta — 12 de outubro de 2016 @ 13:41

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