A experiência dos equívocos não são vãs. É melhor aproveitá-las! 5 novembro 2016 Wagner II

2016 praticamente no fim e com a torcida esmeraldina mais uma vez descontente com a diretoria e com os atletas, a maioria já quer pensar em 2017, o ano em que se espera uma nova postura. Clássico contra o Atlético? Ninguém quer saber. Walter? Já passou. Acesso? Não tem mais chance. Todos nós só queremos encontrar esperanças no ano que vem.

Mas eu diria que isso pode levar mais um tempo. Encontrar esperanças no Goiás não é fácil, principalmente quando os dirigentes não buscam entender o futebol atual, mas buscam apenas cometer os mesmos erros infantis e jogar o Goiás no fundo do poço. Já afirmo: não crie expectativa para 2017. Tem tudo para ser um grande desastre, e na coluna de hoje, eu explico melhor o porque.

As notícias nos bastidores não estão muito quentes. Os torcedores não estão sendo bem informados, desde que o Goiás barrou a imprensa simplesmente por dizer algumas verdades. (Eu detesto a imprensa goiana, que é formada pela maioria por pessoas desonestas e que não entendem de futebol, mas no Goiás, não é muito diferente).

O quê posso dizer sobre o que está acontecendo lá dentro, é que o Sérgio Rassi vive um dilema se vai renunciar ou não. Se isso acontecer, seria um motivo ótimo para comemorar, mas viria junto com um motivo ótimo para chorar: Harlei, muito provavelmente, voltaria para a direção de futebol. Sim, o mesmo “ídolo” (Eu não o considero ídolo), paneleiro e amador Harlei, um dos responsáveis por rebaixar o Goiás em 2015, pode voltar a Serrinha.

Bem, isso deve acontecer se Rassi sair, mas se ele ficar, é provável que o presidente busque outras alternativas no mercado para tentar aprimorar a direção de futebol. Isso é bom, não é? Sim. Em tese, é bom sim. O problema é que nós sabemos como é Sérgio Rassi: um fracassado, que só aposta em barco furado e só prejudica o Goiás, além de mentir sempre para a torcida fazendo promessas desnecessárias e nem sequer ligando para as nossas opiniões.

Primeiramente, já digo para o senhor Rassi que se ele ainda não entendeu como funciona uma Série B, de nada adianta ele ficar na presidência. Uma segunda divisão não se ganha fazendo um time com grandes nomes/estrelinhas. Não se ganha porque um clube tem mais dinheiro que outro. Se ganha montando um time com vontade, com jogadores rápidos e com um elenco unido, e principalmente, com um bom comandante.

Falando em comandante, se começarmos o ano renovando com Gilson Kleina, cometeremos um erro. Eu reconheço que Kleina foi o melhor treinador que tivemos no ano, mas é um técnico que é facilmente vencido por um técnico que sabe de tática e tem uma boa leitura de jogo. O Goiás tem um grande ataque, mas a única jogada que o Goiás busca com Kleina é bola na cabeça do Léo Gamalho com Rossi e Walter trabalhando o lance. Isso é fácil de evitar. Guilherme Alves, do Vila, deu um banho tático em Gilson Kleina, por isso, ganhou o jogo.

ZagoTemos vários bons nomes para assumir o Goiás. Antônio Carlos Zago, do Juventude, é excelente. Milton Mendes daria muito certo em uma Série B. Dado Cavalcanti, atualmente no Paysandu, também é agradável. Esses são só alguns. Eu poderia citar vários nomes bem melhores que Gilson Kleina.

Outro erro fatal que o Goiás pode cometer é NÃO manter uma base do elenco atual. Por incrível que pareça, os dirigentes pensam como diretores de um clube medíocre e pequeno. Manter uma base do elenco atual é essencial para se manter uma conjuntura necessária para o próximo ano, não precisando gastar demais e dando uma ideia inicial para o treinador de como a equipe vinha jogando e que atleta tem entrosamento com outro atleta. Isso é fundamental. O problema é que pelos boatos, o Goiás vai cometer o mesmo erro de 2015: dispensar a maioria e montar um elenco todo novo.

Sempre admirei Enderson Moreira, mas com o início ruim pela Série B, comecei a contestar muito o trabalho dele em frente ao Goiás no começo desse ano. Me lembro em uma entrevista coletiva dele após uma derrota para o Bahia, que seria difícil para o Goiás repetir o a temporada magnífica de 2012, pois o time não tinha mantido uma base do ano passado. Por mais que eu o contestasse naquele momento, eu tive que concordar com o mesmo.

Esse foi um dos erros que o Goiás cometeu nesse ano. Por mais que o clube não tenha tido um grande time em 2015, se tivesse mantido mais do que o Patrick, poderíamos ter feito uma temporada melhor. Veja bem: Gimenez e Diogo Barbosa, os dois laterais do ano passado, hoje estão em clubes de Série A. Um está perto de ser campeão sul-americano com a Chapecoense e o outro está indo pra Libertadores com o Botafogo. Se um desses tivesse ficado, talvez não teríamos que se preocupar em ver Suelinton de titular, ou então, Felipe Saturnino ganhando oportunidades.

Na defesa, tínhamos o Fred, que não era lá um excelente marcador, mas batia falta como ninguém e com certeza é melhor que os zagueiros que temos hoje. Se ele tivesse ficado, talvez não teríamos que ver Wesley Matos ou Anderson Salles com a camisa do Goiás.

RodrigoO mesmo serve para os volantes: Rodrigo saiu do Goiás para ser eterno banco no Palmeiras e é melhor do que David. No ataque, eu não vou comentar muito. Temos bons atacantes hoje e Erik e Bruno Henrique não fazem falta (muito menos o Zé Love), e o mesmo serve para o meio de campo que tinha Felipe Menezes (Léo Sena devia ter aparecido antes).

Times como o Vasco, que mantiveram boa parte dos jogadores da temporada passada (mesmo com o rebaixamento),  estão se dando bem. Sim, o Vasco está subindo e nós, não. Para 2017, era muito importante que o Goiás mantivesse alguns jogadores. Listo alguns que para mim, ainda serviriam: Renan, Ednei, Juninho, David Duarte, Adriano, Léo Sena, Murilo, Léo Lima, Rossi, Carlos, Marcão, Walter (o principal) e Gamalho. Alguns deles ainda tem contrato vigente com o clube, mas veja bem, nunca é garantia de permanência. Não custa nada um clube maior vir e tirar eles do Goiás.

E os reforços? Não busque grandes nomes da Série A. Só um ou outro. Tentemos observar os estaduais e buscarmos os bons jogadores de lá. Rossi veio do São Bento e Adriano, do Grêmio Novorizontino, times pequenos, mas que tiveram jogadores que se destacaram por lá e são essenciais para o Goiás nesse ano.

Para encerrarmos, passageiros esmeraldinos, apertem os cintos. Esse voo continua muito turbulento e pode ser que o foguete que tanto queríamos que subisse, caia em um mar sem voltas.

Wagner Oliveira

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7 Comentários Quero comentar!

  • Um texto verdadeiramente primoroso.

    Parabéns, Wagner!!!

    Comentário by Juninho Bill — 5 de novembro de 2016 @ 10:33

  • Vamos la… Sobre o rebaixamento em 2015 imputado ao Harlei, não concordo, a mais coisas entre o céu e a terra do que imagina a nossa van filosofia. Não podemos culpa-lo, Harlei tinha um teto salarial, que todos sabemos que era de 50.000,00. O ex superintendente de futebol foi para o mercado, primeiro para buscar um treinador, ele tentou o Dorival Junior, esse profissional aceitaria o convite mas o preço era de R$ 400.000,00. A proposta foi levado ao Sergio Rassi, que quase deu infarto… Foram tentados jogadores, Valdivia do Inter estava para vir, mas o teto era de R$ 50.000,00, então o jogador não veio. Temos de ter cuidado nessas avaliações sobre o profissional. Harlei estava pronto para assumir um cargo desse peso naquele momento? Sabemos que não, dentro de campo ele não deve nada, mas … Harlei se aprimorou fez cursos, participou de palestras e conseguiu adentrar no FANTÁSTICO MUNDO DOS EMPRESÁRIOS DE FUTEBOL, e isso é muito importante na hora de se contratar bons jogadores.

    A permanência de Kleina, não é o melhor, mas foi o melhor daqueles que vieram esse ano, e na minha visão ele deveria continuar, afinal hoje já são 04/11, e o planejamento quem e quando será feito?

    Temo e temo muito 2017, principalmente se Sergio Rassi continuar, ele não é o principal culpado, mas tem de sair pelo bom andamento para a temporada do ano que vem. Caso ele fique, podem esperar um 2017 ainda pior que 2016. Vazou na imprensa que caso Rassi permaneça a primeira contratação será de Edu Dracena, vai aí o primeiro erro, vem ganhando muito, vai minar o grupo e não tem perfil de série B.

    Comentário by cicero jr — 5 de novembro de 2016 @ 11:12

  • Concordo em relação a se ter uma base do time, não podemos começar do zero de novo! Não é possível que não entendam isso.

    Comentário by Manoel Fernandes — 5 de novembro de 2016 @ 12:03

  • Bom dia a todos.
    Sobre a base eu opinei quem eu manteria. Em partes eu concordo com o Wagner em partes não.
    2017 é preocupante e muito.

    Comentário by Wendll Faleiro — 5 de novembro de 2016 @ 12:54

  • Top viu Wagner , excelente texto viu ,acaba logo 2016 ,e que começamos um 2017 totalmente diferente,

    Comentário by Lud — 5 de novembro de 2016 @ 13:20

  • Com base nas questões abordadas eu discordo em alguns pontos. Sobre a permanência da base eu concordo, mas Ednei, Juninho e Léo Lima não da mais. Sobre o Harlei, discordo plenamente, o mesmo não teve culpa nenhuma do rebaixamento, difícil fazer um bom trabalho na serie A com um teto salarial tão baixo. Eu concordo com Cicero Jr, com poucas palavras e muita autenticidade em seu comentario.

    Comentário by Brayan — 7 de novembro de 2016 @ 11:32

  • Ótimo texto… Parabéns Wagner…

    Comentário by Gustavo — 7 de novembro de 2016 @ 21:13

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